sábado, 6 de março de 2010

Gossip RG e Frivolidade Máxima - Vogue Rg

Gossip RG, por Vogue RG

Febre Africana

A passagem de Beyoncé e Alicia Keys por favelas e pontos dos bas-fonds carioca para gravaro clipe do novo hit das duas, "Put in a love song" , de popular só teve as locações. Uma emissária da indústria de alto luxo trouxe da Suíça uma mala de jóias e relógios da Bulgari que as cantoras usaram no filme . As peças tiveram tratamento vip: escolta de três seguranças, carros blindados, à la 007. E os fashionistas se perguntam de onde vêm os modelitos coloridésimos que as meninas desfilaram em todas as suas aparições no Rio. Trata-se o novo it-label de Los Angeles, a Boxing Kitten, da estilista Maya Lake, que pegou todas aquelas estampas deslumbrantes do interior da Africa e atualizou em sainhas rodadas, vestidos e macaquinhos curtíssimos. Tem cara de febre no próximo verão do Hemisfério Norte.  (Bruno Astuto)


Poderes de K

Se alguém falar de Sérgio K do seu lado e você só se lembrar das polos com dizeres engraçadinhos, fique sabendo.O rapaz relamente sabe se superar e comanda seu negócio muito bem, obrigado.
Ele lançou há pouco a linha Rehab, homenagem às divas tresloucadas da mídia,abre sua flagship em Brasilia e assina uma linha exclusiva para a C&A ainda para o Dia dos Pais, informação que não confirma mas já corre solta por aí. Mas o furo é que a marca acabda de fazer sua segunda campanha com Terry Richardson e o ator Jonathas Faro de protagonista. Foram até NY fotografar na times Square e no cenário do In The Heights, musical premiadíssimo da Brodway e um dos maiores hot tickets da história. Do ensaio saiu também um filme, com qualidade de cinema e tudo, sob o comando criativo de Marcelo Sebá e sua Image Builder, que será exibido nas salas do Iguatemi. Não deu até para esquecer das polos?  (Mario Bolzan)

Frivolidade Máxima por Dudi Machado, para Vogue RG

Herança

Sucesso tanto nas pistas do Studio 54 quanto nas mesas do Hippopotamos, correntes e pulseiras de ouro foram as jóias que deram o tom da juventude dourada que chacoalhava ao som da disco music. Resgatadas dos cofres maternos ou em versões atualizadas, peças como a pulseira Love de Cartier estão fazendo a cabeça de meninas de fino trato como Bianca Brandolini e Heleninha Bordon. Assim como a coleção Allambra, criação de Van Cleef&Arpels, preferida de Rese Whitherspoon, Keira Knightley e Cameron Dias

Bom e Barato

Dono de uma das agendas mais turbinadas de Nova York e de um senso de humor idem, o colombiano Carlos Mota é editor da Revista ELLE DÉCOR americana e party boy de acesso irrestrito à intimidade dos ricos e famosos. Na onda less is more, ele chega em abril com o livro Flowers Chic and Cheap, com mais de 150 dicas de arranjos fáceis e baratos para encher a casa de flores sem esvaziar o bolso. Encomende o seu pela amazon.com, ou esper ser convidado para uma das muitas festas de lançamento no Rio, Paris ou Nova York.

Abelardo da Hora - Continuação ...




Expo: Abelardo da Hora - 60 anos de arte






Retomando as postagens no blog, vamos falar um pouco de arte. Esta expo, tive a oportunidade de ver no vão livre do Masp. Em uma iniciativa do museu, de levar a arte mais próxima ao público e gratuita.O artista em questão é Abelardo da Hora, mas agora vamos falar um pouco deste grande artista. Nascido em 1924, na Usina Tiúma, este pernambucano de São Lourenço da Mata é eclético e, além de escultor, é pintor, gravador, ceramista, desenhista e até poeta, marcando o seu trabalho pela inconformação e pela busca de fazer sempre melhor. A obra de Abelardo, como ele mesmo diz, é feita para sua gente, gente brasileira que ama a sua cultura e os seus valores, e que também sofre com a seca e a exclusão social. Formado pela Escola de Belas Artes do Recife, nos anos de 1940 realiza vários trabalhos em cerâmica artística para o industrial Ricardo Brennand, com temas relacionados à fauna, flora e cultura regionais. Vanguardista, foi mestre da principal geração de artistas plásticos pernambucanos, fruto de sua atividade no Ateliê Coletivo, que dirige entre os anos de 1952 e 1957. foi um dos fundadores do MCP- Moviemento de Cultura Popular, calcando grande parte de sua vida no ensino gratuito de arte aos novos talentos e na integração de todas as artes em uma espécie de universidade aberta.



Abaixo estão algumas fotos das esculturas monumentais, deste grande artista.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Quando se vê a morte através da lente- Sebastião Salgado

Vimos imagens terriveis, terrificantes e terrivelmente espetaculares. Já as conhecemos de situações diversas, no imaginário de Hollywood, na fábrica do cinema de catástrofe, e a familiaridade com essas imagens as torna ainda mais insuportáveis.
O Atentado como um todo foi concebido pensando nas imagens, como um "storyboard" de tudo o que aconteceu, a cronologia de um filme cheio de seres humanos vivos, verdadeiros, no ato de morrer. A preparação e o planejamento dos atentados levaram em conta, de forma maníaca, o efeito comunicativo da televisão; nunca antes a precisão dos eventos e a sua sucessão havia atingido um efeito tão estupefaciente, que nos deixasse tão sem palavras.
Além disso, a língua das imagens é compreensível universalmente e fez -se isso é possivel- os eventos ficarem ainda mais ardentes.Entendi uma coisa incrível não existem limites, não existem mais as fronteiras que acreditávamos garantir a tranquilidade de nossas vidas; destruir tantas vidas de um só golpe é um ato de criminosos assassinos, executado por pessoas que escolheram se tornar isso, que pretendem falar em nome de um mundo que se perdeu, lançar um apelo por parte daqueles que correm o risco de desaparecer.
Os rostos desorientados e desesperados das vítimas do atentado não são diferentes dos rostos dos milhões de desesperados que vi todos esses anos, conscientes de que a vida não tem nada mais a lhes oferecer, de que o mundo os deixou para trás, decidiu pela sua perdição.
A foto da mulher coberta de poeira, envolta em uma nuvem amarela, buscando refúgio após o atentado, me remete às imagens dos trabalhadores na extração de enxofre na Indonésia, escravos, por poucos trocados, de uma situação que os excluiu.
Não tenho comentários para as imagens das pessoas que se jogaram do World Trade Center; fiquei totalamente chocado com o que vi. Microscópicos seres humanos desesperados, que caem de uma construção gigantesca, maciça, aparentemente impossível de derrubar, desmoronada em poucos minutos.
Olhando as imagens, naturalmente pensei nos meus "irmãos" fotográfos, empenhados em documentar essa tragédia. Fazer fotografias em situações como essa é extremamente difícil, e os fotógrafos se arriscam, eles mesmos, muito mais do que se imagina, em seu trabalho. E preciso trabalhar velozmente, sintetizando um fato dessas proporções em poucas imagens, escolher os enquadramentos; tudo isso requer uma prontidão e uma presença de espirito excepcionais.
Os fotográfos são comumente acusados de querer protagonizar, colocar-se em evidência, mas são testemunhas; muitas vezes, as únicas testemunhas no local. Esses dramas, queiramos ou não, são o espelho da sociedade, e os fotográfos levam esse espelho a todos.
No mundo de hoje, não existe mais proteção, como a que imaginamos nas décadas passadas; mas, para milhões de seres humanos pertencentes aquele mundo que se optou por deixar para trás, de quem se roubou a dignidade, essa proteção já não existe há muito. Tudo se nivelou. O olhar atônito nas fotos de Colin Powell, de Chirac, de Bush, de Arafat deixa ver o quanto estávamos todos despreparados para este evento. Bush erra ao falar de vingança; estamos mais para um momento de reflexão, uma reflexão impingida.
O poder exercido diariamente no interior de um sistema de certezas foi destruido, aquilo que se acreditava eterno não o é mais. As causas de tudo isso vêm de longe.
Começou uma nova era, e devemos vivê-la fazendo um esforço de elaboração, de pensamento, recolocando em discussão o que acompanha, de modo habitual, as nossas vidas. O equilíbrio preexistente evidentemente não era tanto, e devemos nos esforçar para construir um novo, a partir de outros valores, usando um profundo repensar.
Os agentes do atentado o fizeram tendo às costas uma grande organização, mas o que é mais dramático é que milhões de pessoas se sintam representadas por tudo isso. Para aqueles que não dão mais valor à vida, esses acontecimentos não são diferentes do que houve em Ruanda ou em dezenas de outros lugares do mundo. A divisão do risco faz com que se diminuam as desigualdades: a desestabilização parece possível a cada momento. A vida que uma multidão de pessoas do Terceiro Mundo é obrigada a viver, acostumada ao absurdo, faz mais compreensível e aceitável aos seus olhos um evento baseado na lógica do absurdo.
Texto do fotógráfo brasileiro Sebastião Salgado, publicado no jornal italiano "La Republica